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Cachoeira Encantada - BA

November 2, 2017

Partimos de Salvador de carro em direção ao povoado do Baixão às 05:00h da manhã, dia 02 de novembro de 2017, uma quinta feira de feriado, dia de Finados. Foram percorridos 430 km de distância aproximadamente. As estradas em modo geral estavam boas, só deixando a desejar na parte final do percurso, com trechos de asfalto bastante esburacados, alternando com estradas de barro batido, mal sinalizadas.  

 

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Chegamos ao pequeno povoado do Baixão às 10:50h da manhã e nos direcionamos até o Rancho da Floresta, uma casa de apoio ao visitante, administrado por Orlando Bernadino, que também é guia e uma espécie de guardião da Cachoeira Encantada, além de alugar quartos e servir refeições para os visitantes.

O Assentamento Rural do Baixão foi criado a 20 anos e está localizado no município de Itaetê, na Chapada Diamantina,  Bahia. Possui uma área de três mil hectares e é ocupado por aproximadamente 140 famílias, que vivem basicamente da agricultura, salvem algumas pessoas, como o próprio Orlando, que enxergam no turismo uma fonte de renda complementar.

Após um bom papo com Orlando decidimos dar início à aventura. Os nossos planos seriam de sair de carro do povoado até um estacionamento improvisado e seguir de lá caminhando até o ponto de acampamento, de onde Orlando nos deixaria e retornaria ao povoado. No outro dia (sexta feira) iriamos conhecer a Cachoeira Encantada, depois voltaríamos ao ponto de acampamento e dormiríamos mais uma noite. No sábado, combinamos com Orlando de esperar ele no acampamento para ele nos guiar na volta ao povoado do Baixão. Passaríamos a última noite no Rancho da Floresta e sairíamos cedo, no domingo, para retornar a Salvador.

 

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Saímos do povoado às 11:30h da manhã, o tempo estava bom, com algumas nuvens no céu. Seguimos de carro enquanto que Orlando foi na frente de moto nos mostrando o caminho, após mais ou menos 5 km de terra batida chegamos ao local do estacionamento, uma área mais aberta dentro da vegetação. Logo ao lado tinha a ponte que corta o Rio Una, um rio importante na região, ponte esta que não passa mais carro, só atravessa a pé ou de moto. Fizemos os últimos preparativos e seguimos viagem caminhando com as mochilas grandes.

Atravessamos a ponte a pé, enquanto que Orlando continuou por mais uma parte da trilha de moto, o que iria lhe poupar tempo e energia, pois o mesmo ainda iria voltar para casa após nos guiar.

 

A parte inicial da trilha é bem tranquila, uma estrada larga de terra batida, passando por algumas cancelas, que impediam poucas cabeças de gado passarem a diante pelos terrenos. Depois de mais ou menos 3 km de distância, alternando entre trilhas mais largas e outras mais estreitas, chegamos à travessia pelo Rio Samina, o mesmo rio que abastece a Cachoeira Encantada. Nesse ponto Orlando nos explicou um pouco mais sobre a região.

O clima da região é em grande parte do ano seco, com sol forte, mas a notícia de que tinha chovido muito na noite anterior nos animou, bom para toda região que sofre muito com a seca, com incêndios constantes e bom para nós que teríamos a oportunidade de ver a cachoeira com bastante água, porém, nem tudo são flores, neste caso, teríamos que ter uma atenção redobrada na trilha. Além do ambiente ficar muito úmido e molhado, deixando as pedras escorregadias, teríamos que ter uma atenção redobrada com o nível do rio.

 

Por se tratar de ser uma região de cânions, a trilha até a cachoeira tem poucos acessos de entrada, e somente três pontos de acampamento. O primeiro ponto de acampamento fica logo na entrada do cânion, o segundo ponto de acampamento fica no meio do cânion e o último ponto de acampamento fica perto da Cachoeira Encantada.

 

Em caso de muita chuva e do rio subir demais o nível, só existiria um ponto de entrada e saída para quem estivesse nos acampamentos dois e três. Esta trilha de entrada e saída fica mais próxima ao acampamento dois. Orlando explicou que quando o nível do rio sobe muito, fica muito complicado caminhar por entre as pedras. Muitos dos trechos teriam que ser feitos a nado, o que dificultaria bastante no nosso caso, com mochilas pesadas e equipamentos eletrônicos Além de existirem outros trechos com correntezas fortes e que podem arrastar uma pessoa facilmente, correndo o risco de um acidente pior.

 

Apesar do grande desejo em querer acampar mais perto da cachoeira, achamos prudente seguir o conselho do guia e ficar no acampamento dois e ter uma opção de saída do cânion por perto em caso de o rio subir muito o nível.

 

Atravessamos o rio com muita atenção, não existem pontes, tem que ir pulando as pedras e se preocupar para não escorregar e se machucar. Para quem carrega equipamentos eletrônicos é um risco extra. Por sorte o nível do rio não estava muito alto e passamos sem grandes dificuldades.

 

Neste lado da margem a trilha bifurca, pela esquerda leva até a entrada do cânion e para o primeiro ponto de acampamento, pela direita a trilha segue um atalho pelo cânion, porém ambos caminhos voltariam a se cruzar logo a frente. A diferença é simples, pela esquerda só dá para avançar sem equipamentos, pois seria necessário atravessar um trecho do rio a nado.

 

Seguimos todos pela trilha da direita, logo nos deparamos com uma subida íngreme de 20 minutos. Em seguida, passamos em torno de meia hora caminhando em terreno plano, depois uma descida bem íngreme e logo a trilha encontra novamente o rio. Seguimos o leito pela margem esquerda. Em determinado ponto Orlando nos mostrou uma cobra jararaca, escondida nas pedras, provavelmente se aquecendo no calor da rocha. Logo em seguida ele nos chamou atenção para algumas pinturas rupestres, das quais datam de 6.000 a 2.000 a.p (antes do presente). Elas são produtos dos indígenas, primeiros habitantes da região.

Seguimos principalmente o lado esquerdo do leito do rio, tendo que atravessar em alguns poucos trechos para o lado direito. Seguimos pulando pedras e tendo que molhar os calçados em alguns pontos.

 

Chegamos ao ponto de acampamento por volta das 15h da tarde. Estava bastante cansado, as pernas doendo de pular tanta pedra. Todos sentiram um pouco de dificuldade, alguns mais do que os outros, mas estávamos muito felizes de termos chegado com tranquilidade ao acampamento e de saber que a aventura só estava começando.

 

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Após levantarmos acampamento e de organizar as coisas da mochila, resolvemos iniciar os preparativos para o almoço. Todos estavam famintos e dispostos a ajudar da melhor forma possível para que tudo fosse resolvido com velocidade e qualidade. Enquanto alguns ajudavam no preparo dos ingredientes, outros ajudavam na construção da fogueira, pegando madeiras secas e pedras que pudessem servir de apoio para as panelas e proteção contra os ventos.

 

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O nosso mestre cuca preparou um arroz carreteiro para o primeiro dia. Após mais ou menos uma hora de preparo, a comida ficou pronta e podemos aliviar a fome da melhor forma possível. O almoço estava delicioso, comemos enquanto curtíamos os últimos raios do sol. A luz dentro dos cânions vai embora muito cedo, as paredes rochosas ao redor são altas e viram uma barreira natural para as últimas luzes do dia.

Ficamos conversando na parte da frente do acampamento, logo escureceu e percebemos como o tempo se arrastava para passar. De fato, os dias parecem que são mais longos sem as grandes interferências do mundo globalizado. A noite estava linda e logo a lua apareceu entre as nuvens. Timidamente nos deu o ar da graça, nos alegrou e logo foi sumindo por de trás das nuvens, que tomaram todo o céu.

 

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Continuamos conversando por mais um tempo, a noite estava muito agradável, nos sentíamos cada vez mais parte desse equilíbrio, homem x natureza. Recebemos a visita de alguns bichos da região, entre os que conseguimos enxergar, muitos vagalumes, sapos, aranhas e uma cobra jararaca de quase um metro, que rondava ao lado do acampamento. A atenção ficou redobrada depois dessa ilustre visita, decidimos aos poucos que seria melhor entrar nas barracas e dormir.

 

Acordamos no outro dia (sexta feira) por volta das 08:00h. O céu estava nublado, o que geralmente é normal de manhã na região da chapada. Curtimos um pouco mais o local ao redor do acampamento, depois fomos preparando o café da manhã, que por sinal foi delicioso, cuscuz com ovos e um café preto maravilhoso, que nos seguiu bravamente por toda a viagem.

 

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Saímos do acampamento por volta do meio dia em direção à Cachoeira Encantada. Seguimos pela margem esquerda do rio, como orientado pelo Guia Orlando. O caminho era muito parecido com o que já tínhamos feito no dia anterior, a diferença era que o tempo estava nublado e úmido, o que deixou as pedras mais escorregadias, também estávamos sem os pesos da mochila e barracas, o que é de grande ajuda, pois o tempo todo a caminhada é pulando pedra, em algum momento até foi necessário se esgueirar para poder passa por entre uma pedra bem baixa.

 

Caminhamos sem pressa por volta de uma hora e meia, até chegarmos a um ponto onde era necessário subir um paredão de onde desembocava uma cachoeira linda. Nesse ponto já era possível avistar ao longe o nosso tão sonhado objetivo.

 

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Após passar pela subida do paredão, caminhamos por mais alguns metros e deixamos as mochilas pequenas em um local mais protegido e seco, de onde paramos para descansar e tirar algumas fotos. Depois fomos sem as mochilas em direção ao poço da cachoeira, e quanto mais perto do poço, mais o frio aumentava e mais ficávamos abismados com tamanha beleza e grandiosidade.

 

O seu imenso paredão de arenito maciço impressiona não só pela altura e beleza em si, mas também pelas características da trilha e pela integração plena com a natureza. Com 230 metros de altura e 7 km de cânions, a cachoeira é uma das mais altas e mais belas da região. Com certeza um dos passeios mais incríveis da Chapada Diamantina, as fotos ajudam a entender melhor. O local ainda é pouco visitado, tanto pelo difícil acesso, como por ainda ser pouco divulgado.

 

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